A psicologia das cores é o conjunto de estudos e teorias que analisam a associação entre as cores e o comportamento humano, desenvolvido graças aos avanços científicos do século XVII, e se mantém relevante nos dias atuais devido ao seu imenso impacto na decisão de compra de um cliente. Além de ser um campo fascinante da ciência, é um prato cheio para os profissionais de marketing, design, moda, arquitetura e belas artes. Que tal conhecer um pouco mais sobre a psicologia das cores e sua contribuição para o mundo dos negócios?
As cores são, desde sempre, um assunto fascinante. Desde a mais tenra idade as crianças já possuem uma 'cor favorita'. Uma mesma cor, como a cor azul, se presente nas paredes do quarto dá uma sensação de relaxamento… mas, se presente na comida, já significa que o alimento está estragado.
Os seres humanos fazem inferências a partir das cores o tempo todo. Um rosto pálido ou uma bochecha rosada provocam percepções diferentes sobre a saúde de alguém. E são essas experiências que nos permitem compartilhar impressões sobre algo e moldar o conhecimento humano através de gerações.
Sabendo disso, o marketing e o design vêm há décadas capitalizando o uso das cores para criar experiências de consumo bem sucedidas, que levem o cliente à ação de compra. A primeira impressão causada por uma cor e seu significado se associam à sua marca e à preferência que o consumidor terá por ela. Um estudo(abre em uma nova aba ou janela) da Management Decision afirma que as pessoas tomam uma decisão em 90 segundos a partir da primeira impressão causada por um produto e que a sua cor contribui com 90% da informação que forma essa decisão.
As cores são objeto de estudo da humanidade há muito tempo. Desde a época do Egito Antigo, quando se analisava a relação entre cor e humor, assim como as propriedades holísticas das cores, e séculos depois, com Aristóteles na Grécia Antiga, e a sua associação entre as cores e os quatro temperamentos humanos baseados em elementos naturais (água, fogo, terra e ar).
Mas foi só com Isaac Newton e seus experimentos com a luz do sol e os prismas que se demonstrou que a luz branca pode produzir cores, levando à descoberta das cores do arco-íris. No século XIX, Goethe associa em sua Teoria das Cores o elo entre as categorias de cores e as respostas emocionais que as cores evocam e, finalmente, no século XX, Goldstein expande as ideias de Goethe, afirmando que certas cores produzem reações psicológicas manifestadas na experiência emocional, na orientação cognitiva e na ação concreta.
Existem fatores pessoais que influenciam essas percepções associadas às cores, como a cultura, o gênero, a idade, o tom e a variação da cor… enquanto no Ocidente a cor branca significa pureza, limpeza e paz, em muitas culturas asiáticas o branco está associado à morte, ao luto e à humildade, por exemplo. Portanto, o domínio das características do público-alvo é crucial no momento de decidir a paleta de cores(abre em uma nova aba ou janela) que a sua comunicação terá! Considere o impacto psicológico que essas escolhas terão.
Conforme a cultura vai mudando, o simbolismo de cada cor também se transforma dependendo da época. A cor vermelha, por exemplo, foi introduzida no Ocidente pelo povo Azteca aos colonizadores Espanhóis, e sempre representou a ousadia, o perigo, e mais adiante passou a ser associada ao sacrifício. Já o amarelo era a cor favorita dos casamentos na antiga Roma, enquanto o verde era a queridinha das noivas européias durante a Idade Média, pois simbolizava fertilidade.
A dificuldade de se extrair o tom roxo tornou essa cor uma exclusividade da realeza e da nobreza, ao ponto que o imperador bizantino Teodósio proibiu(abre em uma nova aba ou janela) o uso da cor com pena de morte, a não ser pela família imperial. O significado da cor roxa como luxo e sofisticação permanece até os dias de hoje.
A descoberta de novos pigmentos andou de mãos dadas com a evolução das técnicas artísticas, desde o Renascimento ao Impressionismo, e algumas cores são reconhecidas como "assinatura" de certos artistas - como o amarelo, no caso de Van Gogh, e o roxo no caso de pintores impressionistas como Monet. A diversidade de tons e a experimentação também deixaram uma marca registrada na história da moda.
Vincent van Gogh, Sunflowers, 1889
Claude Monet, Waterloo Bridge, Blurred sun, 1903
As convenções fashionistas no início do século XIX designavam as cores azul e rosa para meninas e meninos, respectivamente, pois o vermelho era uma cor robusta e vibrante e sua variação, o rosa, era associado com o sexo masculino; já o significado da cor azul indicava pureza e era vista como algo próprio do sexo feminino. Foi apenas depois da década de 1940(abre em uma nova aba ou janela) nos Estados Unidos que o rosa claro virou a cor das meninas e o azul claro a cor dos meninos, impulsionado na década de 1980 a partir de quando se tornou possível saber o sexo do bebê durante a gestação. Hoje em dia sequer cogitamos que a psicologia do azul e do rosa eram opostas!
Os diferentes pigmentos e combinações de cor eram um desafio tanto na arte quanto na moda. Mas atualmente, a vanguarda das tendências de moda e a seleção das cores do ano pelo Pantone Color Institute ajuda as marcas a tomarem decisões mais precisas sobre em quais tons investir. A organização é a responsável por padronizar em linguagem numérica o código de uma determinada cor, o que ajuda qualquer produção gráfica, em qualquer lugar do mundo, a reproduzir uma cor com exatidão. Há 25 anos atrás o instituto começou a tradição de escolher "a cor Pantone do ano(abre em uma nova aba ou janela)", engajando a comunidade de designers e entusiastas da cor a conversarem sobre o tema.
Outro elo entre o estudo das cores e o mundo da moda está presente no visagismo, e mais especificamente, na coloração pessoal e descoberta da cartela de cores de alguém. As variações dos tons de pele do rosto combinam melhor com certas escolhas de cores para os acessórios, o cabelo, as roupas e, principalmente, a maquiagem. Há diferentes métodos para a escolha da cartela de cores, e todos buscam chegar à melhor versão que realce a beleza natural do cliente analisado.
Cor do Ano 2024 Pantone Peach Fuzz 13-1023
Há quem associe os primórdios do design com as pinturas rupestres, mas foi só na idade média com a cavalaria e os símbolos de escudo de armas que surgiram os primeiros logotipos(abre em uma nova aba ou janela). Eles serviam para identificar indivíduos, famílias e grupos e utilizavam cores, formas, animais e objetos para demarcar propriedades, alianças ou status. Com o desenvolvimento do comércio, os letreiros das tavernas, oficinas e pequenas vendas começaram a sinalizar e marcar a diferença entre seus negócios e os dos concorrentes. Era o design se aliando à publicidade para representar o ofício de um artesão.
Foi com a revolução industrial e a modernidade que novos métodos de impressão foram inventados, como a cromolitografia, permitindo a reprodução de cartazes, etiquetas, cartões e demais materiais em cores vibrantes muito próximas da pintura. A prática também influenciou movimentos artísticos como o Art Nouveau e o Art Deco e os profissionais foram forçados a testar novas técnicas e estilos, logo trazidos ao design e à publicidade com cores brilhantes e saturadas.
Nos anos 1950 o modernismo trouxe o minimalismo para o design, o uso do espaço negativo, e contrastou com a psicodelia dos anos 60 e 70, baseada em cores vibrantes do arco-íris e a jovialidade da época. Apesar de passageiras, as tendências no design marcam gerações e a estética de produtos, anúncios e interfaces. O mais importante é entender que a harmonia, equilíbrio e consistência são alcançados através da correta combinação de cores, feita de forma profissional.
Você não sabe combinar cores primárias, análogas ou complementares? Os efeitos dessas escolhas precisam ser bem analisados e testados para atingir os princípios clássicos do design: contraste, repetição e hierarquia e só assim criar o resultado desejado. Para chegar lá, confira nossas dicas compartilhadas por experts em coloração(abre em uma nova aba ou janela).
As decisões de compra de um indivíduo podem depender de inúmeros fatores, mas dentre os que estão ao nosso controle, a forma como apresentamos um produto visualmente é uma das variáveis onde a cor tem um papel fundamental. Qual é a atração visual que uma cor causa? Ela chama a atenção o suficiente? Quais emoções ela evoca?
Não à toa o marketing é especialista em forjar compras impulsivas através de gatilhos inteligentes: preços chamativos terminados em ,99 e em cor vermelha são capazes de incentivar compras rápidas, associadas com urgência e escassez. Promoções e ofertas podem ser destacadas em amarelo sobre um fundo preto, atraindo a atenção pelo contraste.
Nas lojas físicas a experiência de compra pode ser organizada por cores diferentes para conduzir o fluxo pelas gôndolas e corredores. No supermercado, a área de produtos congelados terá tons de azul, e em um restaurante fast-food, vermelho, laranja e amarelo podem promover um clima excitante e energético. Já nas interfaces digitais, as cores têm igual peso na experiência de navegação. A cor dos botões, por exemplo, influencia o nosso clique e o vermelho ou o verde são eficazes para botões de ação, como "Comprar Agora" ou "Adicionar ao Carrinho". A área de respiro da interface, ou o fundo da tela, precisa ter tons claros como o branco ou o cinza, para não sobrecarregar a vista e contrastar com o peso de cores mais escuras em informações que merecem destaque. Confira as cores que selecionamos para páginas e sites de alto impacto visual neste artigo(abre em uma nova aba ou janela)!
Capitalizando na psicologia das cores, as marcas já há muitos anos investem no desenvolvimento das suas identidades visuais e construção do seu branding, para garantir um reconhecimento duradouro que as diferencie dos concorrentes. Para isso, entender como melhor combinar as cores com ajuda do círculo cromático é essencial! As principais relações são as complementares, análogas ou triádicas:
Imagem por @imagens-de-marcela-goncalves
Que tal uma curadoria de mais de 100 combinações de cores(abre em uma nova aba ou janela) para a sua comunicação e design? Inspire-se com a nossa seleção.
Agora vamos pôr a mão na massa! Definir as cores para o seu negócio nunca foi tão simples.
1. Comece definindo emoções e significados
Pense sobre quais sensações e percepções subjetivas você gostaria que a sua marca provocasse em seus clientes. Ela estará ligada a emoções mais femininas ou masculinas? Quer denotar sofisticação ou tradição? Jovialidade ou solidez? Diversão ou seriedade? Definir a missão, a visão, e os valores da empresa também ajudam a compor essa personalidade de marca.
2. Selecione a cor primária segundo a psicologia das cores
Agora estude o mercado e avalie as cores do posicionamento dos concorrentes. Quais são as cores primárias que eles usam? O que predomina? Com base nisto e na sua seleção de emoções, você irá definir a sua cor primária, buscando se destacar das escolhas do concorrente. Eis algumas emoções associadas às principais cores:
Lembre-se de considerar o contexto cultural nessa seleção!
3. Escolha a paleta de cores secundárias e auxiliares
Dependendo se você deseja atingir harmonia ou contraste (lembra dos princípios do design?) entre a cor primária e as secundárias, consulte o círculo cromático e as relações entre as cores buscando a oposição, a harmonia ou a dinamicidade.
Realize testes e combinações com a ferramenta de paleta de cores do Canva, além de aplicar as cores em diferentes contextos: materiais impressos, interfaces digitais, embalagens de produtos até chegar ao resultado esperado. É fundamental garantir que as cores colaborem com a legibilidade, gerem atração visual e estejam consistentes em todos os materiais. Buscando uma ferramenta prática para te ajudar a trocar as cores de uma imagem? Conheça este recurso do Canva e aplique filtros e efeitos(abre em uma nova aba ou janela) com um clique!
4. Faça o link entre o significado da cor e a personalidade da sua marca
Com as escolhas realizadas, agora confirme que os significados das emoções evocadas pelas cores estão condizentes com a mensagem que a sua marca deseja transmitir. Relacione a psicologia das cores com os elementos do seu logotipo e a presença dos tons em todos os materiais de comunicação buscando complementaridade de significados de forma global!
5. Mantenha a consistência
Para manter a consistência de marca na comunicação, você pode se servir de um guia de estilo ou manual de marca e documentar tudo detalhadamente. Mas se você busca algo mais acessível e rápido, uma das ferramentas mais úteis do Canva Pro é o Kit de Marca, que permite uma aplicação rápida e uniforme das suas cores e elementos em todos os materiais criados dentro da plataforma. Ter um design organizado não depende de um profissional especialista nisso! Com oKit de Marca(abre em uma nova aba ou janela) você reúne fontes, logos, cores, ícones, imagens, elementos gráficos e modelos prontos para os designs em um só lugar.
Escrito por
Canva Brasil